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sexta-feira, 17 de julho de 2009

II Festival de Cinema de Paulínia - A atitude de se fazer cinema

O último dia da Mostra Competitiva não foi bem um fechamento com chave de ouro. O primeiro longa exibido na noite foi o documentário Herbert De Perto, dirigido por Pedro Bronz e Roberto Berliner, biografando a vida do vocalista e guitarrista dos Paralamas do Sucesso, Herbert Vianna.

Berliner, amigo de Herbert desde que filmou alguns dos clipes da banda na década de 1980 e seu parceiro realizam um documentário que, se a priori gera o mínimo interesse pela música, acaba resultando enfadonho na medida em que percebemos, à parte a declarada parcialidade do projeto, o caráter “especial MTV” que ele adquire. Alguns depoimentos são de fato engraçados (como o do empresário que testemunhou Herbert respondendo à enfermeira, ainda em coma, o que ele de fato queria comer), e as imagens de arquivo complementam o todo de maneira óbvia.

Enfim, ficamos sabendo mais uma vez de praticamente tudo o que foi pisado e repisado pela mídia principalmente à época do trágico acidente com o ultraleve do músico, que acabou vitimando a esposa de Vianna, Lucy. Trechos de clipes, shows, a admiração pelo palco do Circo Voador – e o próprio Herbert, por vezes mostrado revendo trechos dessas memórias na sua TV (e rememorando-as), é o de mais interessante que o filme tem a nos oferecer. É muito homenagem para pouco cinema. Razoável, mas esquecível.

A ficção que encerrou a competição foi o primeiro longa de Ana Luiza Azevedo (que já havia trabalhado de diretora assistente para Jorge Furtado em Meu Tio Matou um Cara e O Homem Que Copiava) na direção, Antes Que O Mundo Acabe. Baseado em livro homônimo de Marcelo Carneiro Cunha, a trama se passa num município do interior do Rio Grande Do Sul (Pedra Grande), composta por um núcleo de personagens adolescentes encabeçado por Daniel (Pedro Tergolina) e seu melhor amigo Lucas (Eduardo Cardoso), que vivem as situações típicas de adolescentes na puberdade: paixões pela mesma garota, viagens que simbolizam aprendizado, bebedeiras que dão conta de dizer que a criança amadureceu.

O resultado, num primeiro momento, burla a impressão de que o filme seria mais um do gênero teen, na pior e mais irritante acepção do termo. Mas o roteiro, episódico como o tabuleiro do Jogo da Vida (de onde se nota o dedo de Jorge Furtado, que o escreveu em colaboração com a diretora e Paulo Halm) não demora a tornar seu esquematismo em tédio – o que não deixou de lembrar um dos curtas exibidos ao longo do Festival, Nesta Data Querida, de Julia Rezende, que trata de uma criança melancólica com sua festa de aniversário vazia. É o tipo de obra bonitinha, mas ordinária – com elementos que séries como Anos Incríveis tiveram bem mais êxito em explorar.

Se pensarmos na dieta recente desse estilo de filme dos afamados “ritos de passagem” que o cinema tem nos oferecido, o primeiro exemplar que logo me vêm à memória é o extraordinário O Retorno, do cineasta russo Andrei Zvyagintsev, uma fita de força rara e reverberante sobre a relação de dois garotos com o misterioso pai. O problema do longa-metragem de Azevedo é que ele não nos diz nada como imagem de cinema, nada é apreendido pelo espectador exceto o que esta ali, na superfície - a câmera, aqui, é mais um artigo meramente funcional do que uma poderosa ferramenta de produção de significados e sensações – questão, afinal, de senso estético, de real vontade de se fazer cinema, atitude que, com raras exceções, não parece ter sido o que moveu essa segunda edição do Festival Paulínia de Cinema.