Uma pérola um tanto obscura de Altman esse Imagens (1972), um belo exercício de gênero de um mestre que viria por a linguagem do cinema de cabeça para baixo com seu multiplot inconfundível (Nashville, da década de 1970 e Short Cuts, década de 1990, os dois exemplos mais notáveis). Na verdade, é difícil falar muito em gênero neste caso, já que Altman realizou um filme que remete muito a Polanski, nesse jogo labiríntico de personagens, e se torna uma obra difícil de ser rotulada. Susannah York, premiada em Cannes pela sua atuação, faz uma escritora que começa a delirar enquanto passa uma temporada numa casa de inverno com o marido.Altman trata de uma maneira muito rica esse universo imaginário, permeando o filme de sutilezas e se utilizando de uma decupagem especiamente delirante - em especial numa cena em que simula uma orgia entre a personagem de Susannah e seus vários amantes. É o tipo de filme cuja narrativa está em constante "flutuação", que mergulha fundo na mente da protagonista e de suas fantasias alucinatórias. Outro grande trabalho de mise-en-scène de um dos maiores pilares do cinema americano.