O Oscar é um espetáculo que desperta um bizarro interesse, muito pelo seus poucos mas marcantes momentos-surpresa, seja em alguns discursos de vencedores ou ,como foi o caso ontem, na aparição de Ben Stiller satirizando Joaquin Phoenix (o chiclete sobre o púlpito), ou mesmo o curta de Judd Appatow, engraçadíssimo, com maconheiros fazendo chacota de O Leitor e Dúvida, com aparição especial do diretor de fotografia favorito de Spielberg, o polonês Janusz Kaminski.
A cerimônia parece ter diminuído em espaço e pompa, mas a sensação de tempo arrastado continua. Hugh Jackman competente como host, mas foi difícil superar a acidez e astúcia de Jon Stewart. E quando vão deixar Spielberg descansando na sua casa de veraneio e chamar outro para entregar o prêmio de melhor filme? Clichê cansado, esse. E nada mal os cinco apresentadores das categorias de atuação dando discretas lições aos concorrentes.
Outra boa piada (como usualmente é) foi a apresentação das canções, três concorrendo, duas delas pelo mesmo engodo que é o novo filme de Danny Boyle. Uau, será que Peter Gabriel vai ganhar por Wall-E!? Pior de tudo foi ignorarem sumariamente Bruce Springsteen com sua canção The Wrestler, para outro ainda mais injustiçado que foi o novo e magnífico filme de Aronofsky, O Lutador. Sean Penn merecido como ator, mas nos poupou de um discurso com alto potencial de interesse e divertimento que seria o de Mickey Rourke
A farofada foi mais previsível no anúncio do vencedor por direção, Danny Boyle, o cineasta-DJ que realizou a festa rave temática com decoração indiana que é Slumdog Milllionaire (Quem Quer Ser o Milionário por aqui, programa que, no filme, é apresentado pelo que me pareceu o Murilo Benício indiano – bem menos sonolento, claro), premiado como melhor filme.
No fim, é sempre interessante e engraçada (involuntariamente, às vezes) essa mistura toda que os Academy Awards oferecem, anualmente, do previsível com o inusitado.
And so on.
